:: TEXTOS QUE FALAM POR MIM :: ^^ By Dinho ^^

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quarta-feira, julho 05, 2006

ENCÂNTICO (Marina Colasanti)

"Este texto é da Marina Colasanti. É uma das coisas mais bonitas que já li e que representa um sentimento de busca e entrega. Como estou aprendendo a conhecer o teu lado emocional, te dou ele de presente e sei que vais apreciar. Lê devagar, como se degustasses um bom vinho: não se fica de porre, mas a sensação é de estado-de-graça." (N.M.)


ENCÂNTICO (Marina Colasanti)

"Estou de partida. Breve, me mudarei para a curva do teu braço.




Busco a terra sem vento, a mansa terra do teu peito. E a batida surda e quente do magma mais profundo, para embalar o meu sono. Busco a tranqüilidade da enseada. Já conheci as águas que é preciso saber. Fui bem além das colunas de Hércules e há muito descobri que por mais longe o mar, jamais despenca. Sereia, lancei meu canto por entre espumas, encantei marinheiros. E eu própria naveguei, seguindo as estrelas do céu, contando as estrelas do mar, até chegar a portos dos quais nem suspeitava a existência.

Agora é tempo de lançar as tranças na água e deixar que se enlacem nos rochedos, ancorando-me ao meu destino. Escolho o teu lado esquerdo, onde me beija o sol poente. E espero que a tua mão direita amaine as minhas selas. Assim, acima do teu coração, encosto a cabeça. E pequena como um grão, deito raízes. Aprenderei a conhecer-te através da planta dos meus pés, como o cego sabe onde pisa, como o índio conhece a trilha? Se for mansa, a maré das colinas, terei certeza de que dormes, ou pensas em silêncio. Se, de repente, meu solo se encrespar, tangido por um vento só teu, será o frio que te toca. O medo, saberei no tremor subterrâneo. E quando o suor correr farto, enchendo rios sem peixes, ameaçando me levar, será tempo de calor, será o verão cantando na tua pele.
Aprenderei a tatear-te com as mãos, a procurar meus caminhos nos valões dos músculos. Fluirei devagar, dormirei nas axilas. Não preciso de casa. Não preciso de abrigo. A terra da tua carne é quente e nada me ameaça. Posso deitar-me nua, dormir tranqüila, ou ficar acordada, olhando para o alto. O céu é calmo, as nuvens passam, indo a outros lugares. Nenhuma traz a chuva, ou a tempestade. Não preciso de pente, não preciso de panos. O orvalho da tua pele me banha de manhã e a tua respiração arruma os meus cabelos. Só quero um cavalo. Galoparei com ele as dunas do teu corpo, descerei pelos braços, avançarei pelas mãos, arriscando-me à queda nos penhascos dos dedos. Explorarei o teu ventre, matarei a minha sede no poço do teu umbigo. E, armada de desejo, penetrarei na selva dos teus pelos, emaranhada e perfumada noite, delta dos sumos, labirinto que imperioso, me chama e suave, me perde. Só depois, percorridas as pernas, visitados os pés, voltarei corpo acima, ventre, peito, subindo em peregrinação até o pescoço, repousando no vale da omoplata.

Talvez leve um cantil para a dura escalada do teu queixo. Subirei com cuidado, usando como apoio os fios de barba, procurando a caverna das orelhas para repouso e abrigo. Barulho não farei, prometo. Nada que te perturbe. Talvez no dia seguinte, ou mais ainda, passando-se outro dia na difícil subida, eu procure chegar até teus olhos. Se estiverem fechados, sentarei com paciência, esperando o milagre da íris descoberta nascer do olho que se renova a cada despertar, astro de luz, surgindo sob o horizonte da pálpebra. Se estiverem abertos, sentarei à beira deste lago, fonte, olho d'água, encantada com a dança dos reflexos, ilusórios peixes, deslizando suas sombras sob um fundo sem algas. E haverá um momento em que, vencendo o medo, mergulharei na transparência, para nadar em direção ao redemoinho negro da pupila.

A aresta do nariz é perigosa. Eu bem conheço a sua linha sinuosa, sua falsa maciez sobre o duro arcabouço. Não convém que a acompanhe. Seguirei pelo lado, encostando-me às arestas, esgueirando-me para não ser tragada. Não tentarei desvendar o mistério do sopro. À boca, chegarei com respeito. Virei pelo canto, descendo ao lábio inferior, o mais carnudo. Avançarei deitada, rastejando-me de leve na pele úmida, até chegar à borda. E me debruçarei sobre as palavras. Breve me mudo para a curva do teu braço. Não saberei mais de você do que já sei. Nem você saberá mais de mim. Mas talvez assim perto, encostada na raiz do teu ser, eu possa me esquecer de onde começo e me esquecer em ti na minha entrega."

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Este texto é o mais LINDO que já li em toda a minha vida! É profundo, delicado, comovente. Tive a felicidade de recebê-lo manuscrito, como presente, de um amigo muito especial, N., de quem nunca me esquecerei. Senti-me tão honrado que o guardei dentro de um plástico(na ausência de uma redoma) como um troféu. Sobreviveu a muitas mudanças e o tenho por mais de dez anos, um pouco amarelado, é verdade, até hoje. E o guardarei para sempre. E o levarei em minha memória, quando chegar a hora da partida; Em estado-de-graça, como previu o meu querido amigo. É uma das minhas maiores riquezas e peço que seja tratado como tal por quem o copiar e/ou retransmitir, atribuindo-lhe os créditos devidos e incluindo a dedicatória do meu amigo. Nunca o encontrei antes na net. Dinho.

12 comentários:

  • At 10:54 PM, Anonymous Dany said…

    Lindoooo..maravilhoso o texto!!!

     
  • At 1:21 AM, Blogger (((☆Ðinђσ¹³;))) said…

    Sabia q vc ia gostar, rsrs... Bjins!

     
  • At 11:02 AM, Anonymous Aline said…

    Noooooossa, sem palavras! Belíssimo! :**

     
  • At 1:37 PM, Blogger (((☆Ðinђσ¹³;))) said…

    Obrigado, Aline! Fiz um coment no seu blog. Bjs!

     
  • At 12:55 AM, Blogger Eti said…

    Primoroso o seu blogger!
    Como tudo que vc faz,claro,
    não podia ser diferente!!!
    E esse texto da Marina Colasanti,
    gente, é demais!!!
    Bjs iluminados.BOA SORTE!!!

     
  • At 9:59 PM, Anonymous raio de sol said…

    BElissimo texto , atual e verdadeiro , tudo que sentimos e nem sempre sabemos dizer em palavras , mas os gestos falam por nós

     
  • At 11:48 AM, Blogger Danny said…

    Belissimo texto

     
  • At 1:52 PM, Anonymous Millena said…

    Perfeito...
    O mais lindo de todos!
    Gostaria mt de receber por e-mail.
    Agradeço.
    bjus

     
  • At 9:12 PM, Blogger Eliane said…

    O que dizer desse texto belíssimo, usando nossas palavras, tão chulas e vãs diante de tanta magnitude, de tanta beleza? Não sei se serei capaz de expressar tudo q senti ao lê-lo.Ficam aqui minhas lágrimas e meu muito obrigada por poder compartilhar de toda essa beleza.

     
  • At 12:49 AM, Blogger rosany said…

    Com lágrimas me embaçando a visão termino a leitura desse texto,uma vez o copiei e enviei para o homem q eu amo, ele me respondeu assim:" Ah mulher!!! vc linda e maravilhosa junto á Marina Colasanti, como posso resistir a essas mulheres.Beijos mil.Seu homem", hj, estamos afastados pq nos gostamos demais e a distância física nos tem separado.Nunca vou esquecer da emoção de tê-lo lido a primeira vez e mais esta. Obrigada por postar coisas tão lindas e q nos emociona tanto.Beijosssssssss

     
  • At 9:03 PM, Blogger Andrea Sampaio said…

    Maravilhoso, emocionante, gostaria que me enviassem para o meu email.

    bjos!

     
  • At 10:52 AM, Blogger Camila Oliveira said…

    Olá, você sabe me dizer de qual livro da Marina Colasanti é esse texto? Não consigo encontrar...

     

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